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20/04/2012De acordo com a Associação Nacional de Executivo de Finanças, Administração e Contabilidade (ANEFAC), a redução da taxa básica de juros (Selic) anunciada ontem pelo Banco Central de 9,75% ao ano para 9,00% ao ano vai tornar ainda mais interessante os rendimentos das cadernetas de poupança frente aos fundos de renda fixa conforme demonstraremos na tabela abaixo.
Segundo Miguel Ribeiro de Oliveira, Diretor Executivo de Estudos Financeiros da entidade, tal fato ocorre uma vez que a caderneta de poupança tem seu ganho garantido por lei (TR + 6,00% ao ano) e não sofre qualquer tributação diferentemente dos fundos de renda fixa que possuem tributação do imposto de renda sobre seus rendimentos, sendo maior esta tributação quanto menor for o prazo de seu resgate além de ter cobrança da taxa de administração cobrada pelos bancos.
Para efeito de comparação consideramos os cenários abaixo:
- Aplicações com prazo de resgate até 6 meses com a alíquota do IR de 22,50%;
- Aplicações com prazo de resgate entre 6 meses e 1 ano com a alíquota do IR de 20,00%;
- Aplicações com prazo de resgate entre 1 ano e 2 anos com a alíquota do IR de 17,50%;
- Aplicações com prazo de resgate acima de 2 anos com a alíquota de IR de 15,00%.
Foi considerado igualmente custo da taxa de administração cobrada pelos bancos entre 0,50% ao ano até 2,50% ao ano (padrão utilizado no sistema financeiro).
Foi considerada nas simulações a rentabilidade mensal da Poupança em 0,54% ao mês. Assim sendo na Tabela abaixo quando a rentabilidade dos Fundos de Renda Fixa apresentou um resultado mensal inferior a este percentual significa que a Poupança se tornou melhor alternativa de investimento. Somente nos casos aonde a rentabilidade dos Fundos foi superior a 0,55% ao mês é que os Fundos se tornam melhor alternativa de investimento.
Resultado Tabela – Rentabilidade dos Fundos de Renda Fixa (em % mês)
| Prazo do resgate | Alíquota IR | Taxa de Administração
0,50% 1,00% 1,50% 2,00% 2,50% |
| Até 6 meses | 22,50% | 0,53% 0,50% 0,47% 0,44% 0,41% |
| Entre 6 meses e 1 ano | 20,00% | 0,55% 0,52% 0,49% 0,46% 0,43% |
| Entre 1 ano e 2 anos | 17,50% | 0,56% 0,53% 0,50% 0,47% 0,44% |
| Acima de 2 anos | 15,00% | 0,58% 0,55% 0,52% 0,49% 0,46% |
- Em amarelo -poupança é melhor investimento
- Em vermelho – fundos são melhores investimentos
Como podemos ver na tabela acima a poupança já ganha dos fundos na maioria das situações sendo que quanto menor o prazo de resgate da aplicação bem como quanto maior for a taxa de administração cobrada pelo banco maior vai ser a vantagem da poupança frente aos fundos.
Com a Selic atual a poupança só perde para os Fundos, independente do prazo de resgate, quando a taxa de administração cobrada pelos fundos for de 0,50% ao ano ou inferior, normalmente para aplicações de valores maiores acima de R$ 50 mil ainda assim quando esta aplicação tiver o seu prazo de resgate de até 6 meses com a incidência da maior alíquota do Imposto de Renda que é de 22,50% a poupança é melhor alternativa.
Nossas simulações e projeções indicam:
- Com a SELIC atual em 9,00% ao ano ou inferior, a Poupança ganha dos Fundos na grande maioria das situações mesmo que o prazo de resgate da aplicação seja superior a dois anos (menor alíquota do Imposto de Renda).
Este cenário e as prováveis novas reduções da taxa básica de juros (SELIC) deverão apressar prováveis mudanças nas regras da poupança para evitar migração de recursos dos fundos para a poupança e com isso evitar os problemas que esta situação trará ao sistema (excesso de recursos para a poupança de um lado e dificuldades de financiamento da dívida pública de outro).
Entre as possíveis mudanças deveremos ter o rendimento da poupança atrelado à variação da taxa básica de juros ou tributar igualmente a poupança como já ocorre com os fundos de investimentos (imposto de Renda).
