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05/06/2026Após uma série de disputas judiciais, o empresário Régis Dubrule, fundador da rede de lojas de móveis Tok&Stok, é hoje um dos maiores credores do Grupo Toky, dono da varejista. O grupo —resultado da fusão entre Tok&Stok e Mobly— entrou com pedido de recuperação judicial na semana passada, com uma dívida de R$ 1,1 bilhão.
Entenda
O Grupo Toky tem uma dívida de R$ 149 milhões com o fundador da Tok&Stok. Isso faz do empresário o segundo maior credor da empresa, conforme documentos da recuperação judicial. O valor inclui cerca de R$ 50 milhões de uma dívida que a empresa tinha com o Itaú, e que foi comprada pelo empresário.
O principal credor da Toky é a Vórtx, instituição que representa os debenturistas, donos de uma dívida de R$ 439 milhões. Essas debêntures (espécie de dívida) foram emitidas em 2024, em meio ao processo de recuperação extrajudicial da Tok&Stok.
A maior parte da dívida do Grupo Toky veio da Tok&Stok. São mais de R$ 770 milhões. No total, o grupo tem uma dívida de R$ 883 milhões com credores comuns (debêntures, fornecedores, bancos), R$ 63 milhões de dívida com pequenas e médias empresas e R$ 5 milhões de dívida trabalhista.
Chance para os fundadores
Com a recuperação judicial, família fundadora não descarta fazer mais um movimento para retomar o controle da varejista. Régis e sua esposa Ghislaine Dubrule observam a situação da empresa com atenção e estudam se há nova possibilidade para retomar o negócio, conforme uma fonte próxima aos fundadores que não quis se identificar. “Essa é a melhor chance que ele tem”, diz. Procurados, os fundadores não comentaram.
A retomada do controle pode envolver a conversão de dívida em participação na empresa. Os Dubrule podem ainda recorrer a um mecanismo pelo qual os credores têm maior participação na gestão da empresa em recuperação, diz o advogado Renato Scardoa, especialista em reestruturação. “Não é um mecanismo amplamente usado, mas pode ajudar a acomodar os interesses de todos”, afirma.
Briga antiga
Os fundadores tentam há anos reaver a empresa, sem sucesso. O movimento mais recente foi uma tentativa de comprar o controle do Grupo Toky no ano passado. Os fundadores da Tok&Stok ofereceram R$ 0,68 por ação da empresa, para fazer uma OPA (Oferta Pública de Aquisição), que é quando um investidor propõe a compra de ações de uma companhia de capital aberto.
Mas o tema levou a uma disputa judicial envolvendo a Mobly. A empresa alegou que os Dubrule haviam feito um acordo com acionistas da empresa na Alemanha, o grupo Home 24, e que esse acordo terminaria por lesar os acionistas minoritários do Grupo Toky. Pelo suposto acerto, a família teria proposto melhores condições à Home 24, com pagamento de bônus que não seria feito aos minoritários. Os Dubrule negam, dizem que as acusações da Mobly são levianas e misturam propostas feitas em diferentes momentos. Eles retiraram a proposta de aquisição.
Outra tentativa de retomar o negócio ocorreu antes da fusão da Tok&Stok com a Mobly. Na época, Dubrule se manifestou publicamente contra a venda do controle da empresa, e se propôs a colocar R$ 100 milhões no negócio. Seu antigo sócio, a gestora SPX, não aceitou a proposta e vendeu o controle para a Mobly em 2024. O tema levou a um processo de arbitragem entre Dubrule e SPX, que terminou em acordo.
Recuperação judicial
O Grupo Toky pediu recuperação judicial no último dia 12, com uma dívida reportada de R$ 1,1 bilhão. O pedido ainda não foi aceito pela Justiça, que aguarda documentos adicionais. Mas o juiz deferiu a tutela de urgência, o que na prática impede a execução de credores contra a empresa e a interrupção de serviços essenciais pelo prazo de 60 dias.
A empresa afirma que sua situação financeira foi afetada pelos juros altos e pelo endividamento das famílias. Diz ainda que tem tentado negociar com os credores da Tok&Stok, mas que “o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando”.
Situação da empresa piorou após bloqueio milionário. A situação financeira se agravou drasticamente depois que a instituição de pagamentos SRM bloqueou um total de R$ 77 milhões das empresas do grupo, conforme o pedido de recuperação judicial. A Toky afirma que o bloqueio é “extremamente superior aos débitos vencidos”, que seriam de R$ 1,3 milhão.
