SEGS| Serviços e construção civil lideram expansão de empregos, aponta pesquisa da CNS
14/09/2026Oferecer uma alternativa de redução da pressão de desmatamento sobre os Biomas brasileiros mais ameaçados, especialmente Mata Atlântica e Cerrado, criando áreas de proteção privadas, geridas e monitoradas por entidades de terceiro setor especializadas em controle e gestão ambiental, e transformar cada m² dessas áreas remanescentes em um ativo digital para preservação com toda a segurança transacional disponível no mercado financeiro. Essa é uma das propostas da 4Rest, Startup Premium do SNASH, ecossistema de inovação apoiado pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA)
“Nossa tecnologia e abordagem comercial trazem alguns pontos de forte competitividade para conquistarmos uma significativa fatia do mercado de créditos de carbono. A transparência e rastreabilidade das transações possibilitam que pessoas e empresas de qualquer lugar do mundo possam investir em florestas distantes promovendo um impacto ambiental positivo em escala global”, explica o engenheiro químico, fundador e CEO da 4Rest, Marco Vinicius Loureiro Giotto
Em entrevista exclusiva para a Revista A Lavoura, o CEO da 4Rest conta um pouco mais sobre a proposta da empresa e como as ações desenvolvidas têm contribuído para o desenvolvimento do setor. Confira:
A Lavoura: Como a tokenização de áreas florestais impacta no desenvolvimento sustentável para o controle e gestão ambiental?
Marco Giotto: A transparência e rastreabilidade das transações na plataforma 4Rest possibilitam que pessoas e empresas de qualquer lugar do mundo possam investir em florestas distantes promovendo um impacto ambiental positivo em escala global. Conseguimos assim reduzir a dependência de grandes corporações e governos distribuindo a responsabilidade da preservação ambiental entre uma ampla base de indivíduos e pequenas organizações.
A Lavoura: Qual a diferença entre token de preservação e crédito de carbono?
Marco Giotto: Resumidamente, os créditos de carbono concentram sua ação em emissões de gases de efeito estufa e, devido à sua complexidade de cálculos e certificações, custam caro e são viáveis apenas para projetos de grande porte. Também, pela complexidade e falta de tangibilidade, estão afastados do senso comum dificultando a adesão voluntária do cidadão. Já os tokens ambientais 4Rest olham a biodiversidade de forma mais ampla, mostrando que há, literalmente, um mundo de vida que importa além do CO2 e o fato de mirarmos também a biodiversidade e simplificarmos o processo e a linguagem técnica, trazendo tangibilidade e compreensão ao cidadão comum, não somos contra o carbono. Ele está lá nas áreas, pode sr calculado, mas também funciona sem toda essa complexidade atrelada
A Lavoura: Como as ações da empresa têm contribuído para a evolução do segmento?
Marco Giotto: Nós estamos trabalhando bastante na conscientização das pessoas e, consequentemente, das empresas, de que só alcançaremos sucesso na conservação ambiental quando cada um assumir sua responsabilidade sobre seus impactos. Não adianta delegarmos ao estado e às grandes corporações essa tarefa como se nós, cidadãos consumidores, não fôssemos também responsáveis pelos impactos da nossa existência. A partir dessa consciência de responsabilidade, precisamos desatar alguns nós legais e operacionais para que as ações de mitigação sejam de fato efetivas. Nossa ferramenta traz soluções que permitem qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo e em qualquer escala, contribuir para a conservação Ambiental.
A Lavoura: Fale um pouco sobre os novos projetos da 4Rest Preservation.
Marco Giotto: A 4Rest tem se posicionado junto aos órgãos regulamentadores buscando colaborar através dos grupos de trabalho que estão discutindo a regulamentação de tokenização de ativos florestais. Além disso, estamos finalizando um novo modelo de tokens que permitirá a qualquer pessoa participar de ações de conservação não apenas com intuito preservacionista, mas com visão de investidor também.
A Lavoura: Qual a importância da nova regulamentação para o mercado de capitais?
Marco Giotto: A regulamentação é fundamental para que tenhamos segurança, transparência e rastreabilidade aos projetos tanto de carbono quanto de biodiversidade. As recentes fraudes no setor de carbono envolvendo projetos que tinham as mais reconhecidas certificações internacionais trouxeram muitas incertezas ao mercado e afastaram grandes players, Foi um retrocesso impactante. Esperamos que a regulamentação ainda inclua pontos críticos que acabaram ficando de forma dessa primeira fase como o cadastro nacional de projetos ambientais, fundamental para reduzir riscos de duplicidade de áreas em diferentes projetos.
A Lavoura: Em sua opinião, quais os principais desafios do segmento?
Marco Giotto: O principal desafio, no nosso entender, é tirar as ações e regulamentações setoriais do ringue ideológico. O direcionamento deve ser científico e racional, entendendo a realidade de cada país e região, respeitando a harmonia entre produção e conservação. Hoje o setor ambiental está dominado por ativismo radical que trata o produtor rural como bandido e a população urbana como vítima. Como se pudéssemos viver nas cidades sem gerar externalidades que pressionam fortemente o meio ambiente.
