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22/10/2025Leilão da Linha 16-Violeta será no próximo semestre; confira perímetro das ‘desapropriações mínimas’ para obras das estações Jardim Paulista, Parque Ibirapuera, Dante Pazzanese e Ana Rosa
Por Priscila Mengue
22/10/2025 | 13h26
Atualização: 22/10/2025 | 14h57
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Proposta está em fase de consulta pública, com leilão previsto para 2026. Crédito: Governo do Estado de São Paulo
Com leilão previsto para o 1º semestre de 2026, a Linha 16-Violeta tem avançado nos últimos meses e está com o edital em fase de consulta pública. O trajeto foi alterado recentemente, com a inclusão e a retirada de novas estações após a apresentação de estudos técnico financeiros pela multinacional selecionada pelo Estado, a Acciona.
Um dos traçados mais alterados envolve os distritos Moema e Vila Mariana, na zona sul de São Paulo. Nesse perímetro, todas as estações foram modificadas ou adicionadas: a Jardim Paulista mudou de lugar; a Parque Ibirapuera e a Dante Pazzanese foram incluídas; e a conexão com as linhas 1-Azul e 2-Verde mudou da Paraíso para a Ana Rosa.
A previsão do Estado é que a 1ª fase da linha comece a operar em 2035, com 16 estações, ligando os distritos Pinheiros, na zona oeste, e Vila Formosa, na leste. A implementação e operação será por Parceria Público-Privada (PPP) de 31 anos. O extremo leste ficará para uma 2ª etapa.
A estimativa é de aporte estadual (investimentos iniciais) de R$ 27,1 bilhões, com R$ 97,9 bilhões em contraprestações (distribuídas ao longo do contrato). Isto é, custo total estimado de R$ 125,1 bilhões, conforme a modelagem econômico-financeira. Os valores não incluem a implantação da segunda fase, que tende a estar em aditivo ao contrato.
Nas duas audiências públicas feitas neste mês, algumas das principais dúvidas envolviam as áreas que possivelmente serão desapropriadas. Esse procedimento ocorrerá ao longo de anos, com perímetros já indicados para a construção de estações, poços de ventilação, pátio de trens e outros espaços.
O Estado tem destacado que os perímetros não são definitivos, visto que a minuta do edital está em fase de debate público e que alterações podem ser feitas pela concessionária. Em paralelo, em setembro, foram publicados Decretos de Utilidade Pública (DUP) de quatro estações — procedimento necessário para as desapropriações.
Além disso, uma linha de metrô tem outros impactos no entorno. Um dos pontos mais evidentes nos últimos anos é, por exemplo, a construção de prédios altos, visto que as quadras vizinhas a estações geralmente são transformadas em “eixo de verticalização”, que têm incentivos à construção pelo Plano Diretor e a Lei de Zoneamento.
Os estudos são da Acciona, selecionada em chamamento público — o que foi criticado por engenheiros e arquitetos do Metrô. Segundo o Estado, os R$ 42,3 milhões estimados pelos levantamentos serão ressarcidos pela vencedora da PPP.
A multinacional espanhola apresentou uma manifestação de interesse em participar do leilão no ano passado, e esse é um dos motivos para a linha ter acelerado no último ano. É Acciona é a mesma das obras da Linha 6-Laranja.
Estação Jardim Paulista: onde serão as desapropriações?
A estação é prevista para o entorno da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, nas proximidades do complexo do Ginásio do Ibirapuera. Embora tenha o nome de Jardim Paulista, fica oficialmente localizada no distrito Moema.
Basicamente, os perímetros indicados para a desapropriação abrangem dois postos de combustíveis, um edifício que passa por retrofit e parte de um conjunto de casas na Travessa Leon Berry.
Ao todo, são previstos 6,9 mil m² de desapropriações. Na segunda audiência pública da linha, no dia 8, moradores da travessa se manifestaram contrariamente à estação no entorno, sugerindo a mudança para endereços próximos. Dentre os motivos, estavam a própria história da vila, de décadas.
Nesse entorno, está delimitada desapropriação também para a área de um edifício de cerca de oito pavimentos, com histórico de atividades do Itaú. Hoje, o imóvel está em obras de retrofit (modernização). Essa estação é uma das quatro com DUP publicado.
“O posicionamento da Estação Jardim Paulista procurou compatibilizar o atendimento a importantes polos de atração como o ginásio Ibirapuera e a necessidade de manter a proximidade com a Avenida Brigadeiro Luís Antônio, onde está prevista a existência da futura linha 19 na sua fase 2″, justifica o estudo técnico.
A projeção é de 2,1 mil desembarques na estação Jardim Paulista por hora no pico, com 540 embarques no mesmo período.
Entre essa estação e a seguinte (a Parque Ibirapuera), estão previstas também desapropriações para a instalação de um poço de ventilação (VSE) na esquina da Rua Manuel da Nóbrega com a Rua Jundiaí, em frente ao ginásio. Nesse caso, a estimativa é que envolva 751,5 m² de desapropriações.
Estação Parque Ibirapuera: onde serão as desapropriações?
A estação será implantada principalmente na área do Modelódromo. Segundo o estudo referencial, a pista de aeromodelismo “será desativada e reconfigurada ao término das obras”.
Os acessos à estação passarão por três túneis subterrâneos, um deles na entrada do parque. O principal deve ficar perto do Portão 10 — próximo do lago e do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo.
Já os demais acessos estarão perto do Obelisco e na Rua Curitiba, junto à Praça Ayrton Senna. Há também a previsão de integração caso seja implantado o BRT da Avenida 23 de Maio.
A previsão é que seja uma das estações mais movimentadas da linha, e com volume de passageiros significativo ao longo de diferentes momentos do dia e nos fins de semana. A estimativa é de 5,1 mil desembarques por hora no pico, com 1 mil embarques no mesmo período.
Ao todo, são previstos 37,5 mil m² de desapropriações. “Os estudos de demanda indicam o potencial de captura de mais de 1,0 milhão de viagens por ano, geradas em off-peak o que traz uma mais valia adicional para a rede metroferroviária”, diz um trecho do material.
Estação Dante Pazzanese: onde serão as desapropriações?
A estação será localizada na Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, nas proximidades da esquina com a Rua Áurea. Ficará a cerca de 500 metros do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, que dá nome à estação.
No memorial descritivo, é destacado que os imóveis que serão desapropriados são “ocupados predominantemente por construções de baixo gabarito voltadas ao comércio e serviços”, como lanchonetes. Menciona-se, também, “boa conectividade com o tecido viário local e interferência minimizada na malha urbana consolidada”.
Ao todo, estima-se 5,4 mil m² de desapropriações. No pico, projeta-se 1,3 mil embarques por hora, com 2,7 mil desembarques no mesmo período.
Entre essa e a próxima estação, também serão realizadas algumas desapropriações para o poço de ventilação VSE Humberto I, junto à via homônima. Ao todo, essa intervenção deve abranger 1,4 mil m².
Expansão da Estação Ana Rosa: onde serão as desapropriações?
É uma das duas estações já existentes que serão expandidas na fase um da Linha 16-Violeta (a outra é a Oscar Freire). Dessa forma, terá conexão com as linhas 1-Azul e 2-Verde.
Além disso, é uma das quatro que já tiveram Decreto de Utilidade Pública. Ao todo, estima-se 6,6 mil m² de desapropriações.
“A escolha do local considera a viabilidade técnica da implantação e a capacidade de atendimento. Além disso, a localização estratégica facilita a futura transferência entre as linhas metroviárias, reduzindo a distância entre plataformas e melhorando a experiência do usuário”, justifica o estudo.
A expansão deve impactar imóveis baixos no entorno da esquina da Avenida Conselheiro Rodrigues Alves com a Rua Domingos de Moraes, como padarias e lanchonetes. As desapropriações se estendem até as proximidades da Chácara das Jabuticabeiras — área tombada do bairro, com restrições para construções de maior porte.
No relatório, é destacado que a conexão futura com duas linhas do metrô “posiciona a Estação Ana Rosa como um importante polo de redistribuição de passageiros”. Para a parte da Linha 16-Violeta, contudo, no pico, projeta-se 179 embarques por hora, com 2 mil desembarques no mesmo período.
Além disso, há também desapropriações previstas para o poço de ventilação VSE Gaspar Lourenço, nas proximidades da esquina da via homônima com a Rua Doutor José de Queirós Aranha. Nesse caso, estima-se 1,5 mil m².
Como deve ser a Linha 16-Violeta?
O histórico dessa linha é mais recente do que de outras em discussão ou estudo. Embora ligações com a zona leste tenham sido discutidas ao longo das décadas, foi por volta de 2019 que a ideia de uma “extensão leste” da futura Linha 6-Laranja foi repensada para dar origem a uma nova linha: a 16-Violeta.
O desenvolvimento somente foi acelerado especialmente no último ano após a manifestação de interesse da Acciona, a mesma responsável pela Linha 6-Laranja. A seleção de uma empresa para os estudos que embasaram o edital foi criticada pela Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Metrô (Aeamesp), que defendeu que o interesse público deveria nortear o projeto.
Dentre as alterações propostas pela multinacional, estão a supressão e a exclusão de algumas estações e outras mudanças no traçado. A previsão é de trajeto de 18,9 quilômetros na fase um, com duração média de 34 minutos.
Além das desapropriações, novas linhas de metrô têm outros impactos nos imóveis do entorno. Um dos pontos mais evidentes nos últimos anos é, por exemplo, a construção de prédios altos, visto que as quadras vizinhas geralmente são transformadas em “eixo de verticalização”, que têm incentivos legais para a construção de apartamentos, previstos na Lei de Zoneamento e no Plano Diretor.
