Convergência Digital| Brasil supera a marca de 750 mil trabalhadores formais em TI
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19/07/2026By Francisco Carlos 16/07/20264
Setor registra crescimento de 3% em 12 meses e remuneração média de R$ 8,6 mil, mas entidades empresariais alertam para a necessidade de ampliar a formação de profissionais.
O Brasil alcançou 750.485 trabalhadores formais vinculados a empresas de tecnologia da informação. Nos 12 meses encerrados em abril de 2026, o número de empregos no setor cresceu 3%. Considerando apenas os quatro primeiros meses do ano, a alta acumulada chegou a 3,4%.
Os dados fazem parte da Pesquisa de Emprego em Serviços, elaborada pela Confederação Nacional de Serviços (CNS), pela Federação de Serviços do Estado de São Paulo (FESESP) e pelo Sindicato das Empresas de Processamento de Dados e Serviços de Informática do Estado de São Paulo (SEPROSP).
O levantamento utiliza informações do sistema RAIS-CAGED, do Ministério do Trabalho e Emprego, e dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A série histórica tem início em dezembro de 2006, com atualização mensal. A edição mais recente considera os vínculos ativos até abril de 2026.
A pesquisa contabiliza trabalhadores com carteira assinada em empresas classificadas no setor de TI. Portanto, o resultado não representa necessariamente todos os profissionais de tecnologia empregados em bancos, indústrias, varejistas ou organizações de outros segmentos econômicos.
São Paulo concentra quase 40% dos empregos
A distribuição regional permanece concentrada. São Paulo reúne 291.697 postos de trabalho, equivalentes a 38,9% do total nacional. Em seguida aparecem Minas Gerais, com 72.379 empregos, ou 9,6%; Rio de Janeiro, com 65.545, ou 8,6%; e Santa Catarina, com 61.717 vínculos, representando 8,2%.
Juntos, os quatro estados concentram aproximadamente 65% dos empregos formais identificados pela pesquisa. A participação evidencia a relevância dos principais polos tecnológicos, mas também aponta espaço para a descentralização das oportunidades, especialmente diante da expansão do trabalho remoto e de ecossistemas regionais de inovação.
Para o RH, a concentração geográfica pode aumentar a disputa por profissionais em determinadas localidades. Estratégias de contratação nacional, modelos híbridos ou remotos, formação interna e parcerias com instituições de ensino tornam-se alternativas para ampliar o acesso a talentos.
Remuneração média chega a R$ 8,6 mil
A remuneração média mensal no setor foi calculada em R$ 8.672,43. Segundo o levantamento, os salários em TI registram elevação média anual de 8,3% desde o primeiro trimestre de 2012. O material divulgado não detalha, porém, se essa variação salarial foi corrigida pela inflação.
O avanço da remuneração acompanha a competição por profissionais especializados, especialmente em áreas como inteligência artificial, engenharia de software, dados, computação em nuvem, automação e cibersegurança.
Ao mesmo tempo, o salário não é o único fator considerado na atração e na permanência desses trabalhadores. Possibilidades de desenvolvimento, flexibilidade, qualidade da liderança, participação em projetos relevantes e clareza sobre a trajetória profissional também influenciam a decisão de permanecer em uma empresa.
Setor registra crescimento do faturamento
Os indicadores econômicos também apontam expansão. Até abril de 2026, o faturamento nominal do setor de TI acumulou crescimento de 11,7%. Descontada a inflação considerada pelo levantamento, o avanço real foi de 9,9%.
Os números sugerem um desempenho positivo das empresas de tecnologia no início do ano. No entanto, o aumento da atividade também pode ampliar a necessidade de contratação e intensificar a procura por competências que já enfrentam maior concorrência no mercado.
Para Luigi Nese, presidente da CNS, superar a marca de 750 mil trabalhadores formais demonstra a consolidação do Brasil como um polo digital relevante, mas não significa que a oferta de mão de obra seja suficiente.
“Ter cerca de 750 mil trabalhadores formais em tecnologia da informação no Brasil reflete a consolidação do país como um polo digital de peso, mas também expõe um gargalo crônico: o tamanho dessa base profissional ainda é insuficiente para suprir as demandas crescentes do mercado”, afirma.
A pesquisa divulgada, contudo, não apresenta uma estimativa sobre o déficit de profissionais. A avaliação sobre a insuficiência da mão de obra é atribuída ao representante da entidade patronal.
Formação entra na agenda do RH
Diante desse cenário, contratar profissionais prontos pode se tornar uma estratégia limitada e mais cara. Para as áreas de Recursos Humanos, o crescimento do setor reforça a necessidade de mapear competências críticas e criar programas de capacitação, requalificação e mobilidade interna.
A formação de profissionais em início de carreira, a inclusão de grupos ainda pouco representados na tecnologia e a revisão de exigências excessivas nos processos seletivos também podem contribuir para ampliar a oferta de talentos.
Mais do que acompanhar a quantidade de vagas, as organizações precisarão avaliar quais conhecimentos serão necessários nos próximos anos. A expansão do emprego formal confirma a relevância econômica da tecnologia, mas transforma a qualificação contínua em uma questão estratégica tanto para empresas quanto para trabalhadores.
